a primeira vez que eles estiveram em praga foi ha sete anos. era fim de setembro e os dias quentes pediam cerveja gelada assim como as noites frescas pediam cafe quente. descobrir a cidade caminhando era facil e apaixonante. as ruas estreitas, as igrejas historicas e mil torres apontando os ceus como se toda a cidade quisesse se despregar da terra e ascender.
foi um reencontro e durante 4 dias puseram um parenteses na saudade.
jovens sentimentais, tao diferentes de agora. na noite fechada nao se ve ninguem. parado em frente a janela do quarto a neve parece congelada no ar, o castelo onipresente reluz nas aguas preguicosas do vlatva, unica coisa viva nesta noite. poderia ser qualquer outra cidade no mundo, mas em praga tudo e’ diferente. ele fecha os olhos, barra a cidade la fora, e se concentra no barulho da agua caindo de encontro ao corpo dela. a parede do banheiro e’ tao fina que ele pode sentir o impacto da agua na pele perfeita (nao ha outra palavra) dela.
nervosa, ela demora no banho, quer que a noite seja especial mas nao sabe o que esperar. antes de sair do banheiro veste seu sorriso confiante. ele continua em pe olhando pela janela. esquecendo por um instante de controlar o impulso ela corre e pula nas costas dele. nessa hora o peso dela e’ o peso do carinho, do amor talvez?, que existe entre os dois e no peito dele a leveza grita de satisfacao.
os dois de pes descalcos no carpete do quarto de hotel se aproximam, os joelhos se tocam e eles se colam num abraco apertado cheio de falas abafadas, desnecessarias ate. ainda nao e’ a hora do beijo.
conversam com a tv pra saber se devem sair pra jantar, e o que jantar, ou nao. a recepcionista do hotel decide por eles, liga para perguntar se desejam a garrafa de champanhe, cortesia do hotel, agora. ora pois, champanhe…. e pizza, ja que ninguem e’ de ferro e algo mais elaborado como caviar acabaria com a naturalidade que sempre foi tao marcante entre os dois.
sentados na larga cama, enquanto a pizza morre lentamente, o champanhe nem tao lentamente assim, conversam guiados pelo ritmo das composicoes de janecek e dvorak (sinal dos novos tempos refinados). a conversa, sempre tao facil, volta a os aproximar ate que o inevitavel acontece depois de perceberem que no amago o tempo nao e’ capaz de tantas mudancas.
(ainda precisa dizer que continua?)
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