work in progress

no ano novo ele finalmente decidiu, e aproveitou os ensejos de definicoes de ano novo pra botar isso em pedra, que nao iria mais procura-la – DE VERDADE, dessa vez, ate ter  um pedido de desculpas – a nao ser, e sempre tem um “a nao ser….” no fim de semana do dia 22 de abril quando ia fazer um ano que oficialmente ele tinha caido de joelhos e dito com todas as letras que queria que fossem namorados (no minimo) daquele dia em diante.

 

pra isso, comprou uma passagem e se foi até a franca, de surpresa. usando de artimanhas e, claramente se questionando todo o caminho, ficou esperando ela sair das aulas no bairro arabe – nao muito seguro – na sexta feira a tarde. encostado numa parede durante pelo menos 2 horas quase mimetizado apesar da jaqueta de brim, camisa de flanela vermelha e calca de sarja – o frio nao parecia incomoda-lo.

ela nao o reconheceu, talvez pelo cabelo curto, talvez pela barba, e demorou um segundo ou dois depois de ouvir a voz dele, em frances, perguntar se ela tinha achado seu amante frances. (aqui vou ter que reescrever – dois frances um em cima do outro)

“nao foi bem UM amantE” – respondeu ela, e deixou todos os mil significados pairando no ar entre eles – visto que nao tinha certeza se queria ele se aproximando.

“pois bem, entao enquanto tu me apresenta ele nao vai ter nenhum problema em me arranjar alguma amiga ou conhecida, certo?”

“certo.”

 

…. (time lapse)

 

no fim das contas ela realmente nao tinha encontrado UM amantE frances e sim UMA. e, numa noite alem dos sonhos mais selvagens, ele teve a chance de conhecer as duas de uma maneira assaz inesperada, ate mesmo inimaginavel para ele.

quando a gente casar, ou tiver morando junto, vou te dar de presente uma camiseta branca – estreita, mas um pouco mais longa que o normal – pra usar como pijama. assim todo dia quando acordar vou poder olhar pra ti e pensar “caramba, tu é bonita MESMO!”. mesmo sem maquiagem ou roupas elaboradas ou qualquer coisa do tipo. só tu, e tudo que tu é, vao me fazer sorrir e ficar feliz pela sorte que eu vou ter. hah

 

p.s: se alguem ainda le essa merda, sinto muito se nao entendeu nada.

EXT – PARQUE NO OUTONO – DIA – trilha: so’ o instrumental

uma crianca de idade inexatada, mas aproximadamente 2 anos, brinca com folhas amareladas caidas na grama. e’ uma menininha de movimentos ainda inexatos, cabelos loiros, olhos verdes. ela parece encontrar grande prazer em juntar as folhas nas maos e joga-las pra cima. um filhote de golden retriever entra em cena correndo, passa perto dela e quase a derruba. a crianca ri.

giro de 90º da camera, ainda com o plano aberto, mostra que o parque, antes aparentemente deserto exceto pela crianca, tem mais um visitante.

um homem de 30 e poucos anos, calcas de brim, jaqueta de couro e oculos escuros esta sentado no chao recostado em uma arvore de tronco largo. o sol bate em cheio nele. tem um livro aberto ao seu lado. rajadas de vento mais forte agitam as folhas da arvore fazendo com que varias caiam por sobre o homem. ele nao se mexe.

a menina corre em sua direcao com o cao logo atras e cuidadosamente tenta tirar uma folha presa no cabelo do homem, que continua sem se mexer.

close no cachorro parado de lingua de fora.

plano americano da menina pegando a folha. subitamente o homem agarra ela por debaixo dos bracos:

- AAAARGH

a menina ri enquanto o homem se poe de pe e ergue ela alto o suficiente pra que alcance nas folhas que ainda estao na arvore. mais uma vez ela ri de excitacao. o cao late. depois de um tempo ele pousa-a no chao e retorna a sua posicao original. a menina cansada aproveit pra se aninhar de encontro a ele enquanto o cachorro apoia o queixo na perna dele deixando uma poca de baba.

plano aberto mostra uma mulher caminhando em direcao a eles. e’ uma loira de pernas longas. extremamente bem vestida. a menina acorda e corre em sua direcao de bracos abertos. se abracam e trocam algumas palavras ininteligiveis.

FADE OUT.

 

era um belo dia de sol em amsterdam. num cafe aconchegante, sentado ‘a janela, aproveitando a vista do canal e das pessoas indo e vindo, ele aguardava tentando manter a calma. um copo dagua ajudava a evitar a secura na boca.

nao da pra dizer se os olhos dele brilharam ou simplesmente refletiram ao avistarem ela. radiante, em uma blusa branca, saia de algodao, longa e com uma estampa colorida, longas botas – a simplicidade era estonteante – e a grande novidade: cabelo curto. so’ o suficiente pra emoldurar seu rosto. vinha deslizando numa bicicleta, obviamente. entrou no cafe meio atabalhoada, com a cabeca num giro frenetico procurando por ele. nao percebeu o sujeito ao canto, de terno cinza, camisa branca e gravata preta. coincidentemente o cabelo dele tambem estava curto, pela primeira vez na vida. tao alinhado ele nao fazia juz as memorias que ela tinha. parecia alguem que tenta mostrar no exterior, jogar na cara de quem o olha, as mudancas e sua “nova” persona. e os oculos escuros funcionavam como uma armadura. estavam la para deixar ela do lado de fora.

sentou a mesa com um grande sorriso:

- ufa, quando recebi teu email marcando um cafe fiquei imaginando se seria um daqueles cafes…

- haha um membro do corpo diplomatico brasileiro nao pode correr o risco de ser visto em um daqueles cafes. mas esse aqui e’ bem bom…

- siim. fiquei sabendo das boas noticias… e deu sorte tambem, primeiro lugar que te mandaram foi pra ca?!

- yep. ja to morando aqui faz uns 3 meses. e tu? so de passagem?

- e’. vou ficar mais umas semanas terminando esse assignment  pra revista e depois tenho que voltar.

- boua.

- siim. na real, desculpa, mas to meio correndo… minha entrevista e’ daqui a pouco. vamos pedir?

- claro. claro. que que tu vai querer?

- um irish coffee eu acho…

- ah e’?!

- ai, eu to nervosa com essa entrevista, ta!

- ok ok. mas nao sei se o irish coffee deles e’ tao bom. vou ver se nao se importam que eu faca… como tu sabe eu ja tive vasta experiencia ne.

- ai nao precisa. peco outra coisa.

- capaazzzz, agora tambem quero ver se eu ainda sei fazer.

depois de argumentar e convencer a gerente da cafeteria a deixar ele usar a maquina de espresso – por sorte nao havia nenhum movimento – ele tirou o paleto no banco ao lado dela, que agora estava sentada no balcao inclinada na direcao dele, atenta a todos os movimentos.

- entao, 3 shots de cafe, um de uisque. deveria ser jameson, que e’ irlandes mesmo, mas nao sei se eles tem aqui…

- nossa, agora sem o casaco eu percebi… como tu ta magro!

- ah sim, o cancer faz isso ne…

- COMO ASSIM?!

- haha brincadeira ne. tenho bastante tempo livre e ainda nao enjoei da cidade, entao caminho bastante.

- hm… ta parecendo bom, pelo visto tu ainda tem o jeito?

- veremos. agora so’ falta o WHYped cream. hahaha

- …

- ah. tu nao lembra?

- do que?

- de praga. o WHYped cream.

- aaaah sim. haha. sim sim. haha

- e’. ta pronto. o irish coffee e’ muito amargo e eu nao queria te ver fazendo careta a cada gole entao botei um extra de whipped cream…

- ah, nao precisava. tu ja ta sendo doce (sweet, han han).

- …

- heh. e o trabalho?

- e’ bom. nao e’ muito puxado, ja que sao 4 da tarde e eu ja to livre pra ficar horas e horas so lendo e tomando cafe…

- ai que sorte. eu realmente queria ficar mais mas tenho que fazer essa entrevista super importante. e a pessoa e’ chata, quase desmarcou, tive que insistir um monte.

- nao precisa te explicar. sei como e’.

- ai mas ta tao bom conversar, e teu cafe e’ otimo!

- garanto que a companhia ta melhor.

- sem duvida.

- …

- … ja sei! vai comigo!

- haha como assim, nao vou me meter no teu trabalho.

- mas eu preciso de um fotografo. na real nao preciso. a revista nao tem verba pra isso, eles queriam que eu fizesse as fotos ne, mas se tu nao tiver cobrando muito caro pra um trabalho freelance vem junto e faz as fotos. ou abandonou o jornalismo de vez?

- hm. perigoso mexer com uma paixao adormecida assim. ainda tenho aquela leica usada que eu comprei na franca, lembra? mas acho que faz mais de mes que no uso ela…

- aaaah perfeito! melhor do que o equipamento que eu tenho. e vai dar um visual super legal.

- hm, ok… posso correr em casa pra pegar ela e te encontrar no lugar da entrevista.

- naao. eu vou contigo la. se quiser te dou ate uma carona na bici hahahahaha

- hmm. pode ser, mas sem carona. vamo indo entao?

 

(descricao do studio e revisao do texto todo fica pra proxima)

a primeira vez que eles estiveram em praga foi ha sete anos. era fim de setembro e os dias quentes pediam cerveja gelada assim como as noites frescas pediam cafe quente. descobrir a cidade caminhando era facil e apaixonante. as ruas estreitas, as igrejas historicas e mil torres apontando os ceus como se toda a cidade quisesse se despregar da terra e ascender.

foi um reencontro e durante 4 dias puseram um parenteses na saudade.

jovens sentimentais, tao diferentes de agora. na noite fechada nao se ve ninguem. parado em frente a janela do quarto a neve parece congelada no ar, o castelo onipresente reluz nas aguas preguicosas do vlatva, unica coisa viva nesta noite. poderia ser qualquer outra cidade no mundo, mas em praga tudo e’ diferente. ele fecha os olhos, barra a cidade la fora, e se concentra no barulho da agua caindo de encontro ao corpo dela. a parede do banheiro e’ tao fina que ele pode sentir o impacto da agua na pele perfeita (nao ha outra palavra) dela.

nervosa, ela demora no banho, quer que a noite seja especial mas nao sabe o que esperar. antes de sair do banheiro veste seu sorriso confiante. ele continua em pe olhando pela janela. esquecendo por um instante de controlar o impulso ela corre e pula nas costas dele. nessa hora o peso dela e’ o peso do carinho, do amor talvez?, que existe entre os dois e no peito dele a leveza grita de satisfacao.

os dois de pes descalcos no carpete do quarto de hotel se aproximam, os joelhos se tocam e eles se colam num abraco apertado cheio de falas abafadas, desnecessarias ate. ainda nao e’ a hora do beijo.

conversam com a tv pra saber se devem sair pra jantar, e o que jantar, ou nao. a recepcionista do hotel decide por eles, liga para perguntar se desejam a garrafa de champanhe, cortesia do hotel, agora. ora pois, champanhe…. e pizza, ja que ninguem e’ de ferro e algo mais elaborado como caviar acabaria com a naturalidade que sempre foi tao marcante entre os dois.

sentados na larga cama,  enquanto a pizza morre lentamente, o champanhe nem tao lentamente assim, conversam guiados pelo ritmo das composicoes de janecek e dvorak (sinal dos novos tempos refinados). a conversa, sempre tao facil, volta a os aproximar ate que o inevitavel acontece depois de perceberem que no amago o tempo nao e’ capaz de tantas mudancas.

 

(ainda precisa dizer que continua?)

que tipo de historia tu quer contar? nao sei. mesmo. tenho tantas na minha cabeca mas a verdade e’ que se perguntarem qual delas quero viver nao sei escolher. mas eu perguntei qual tu quer contar. quero contar a mais verdadeira, as outras servem pra me iludir e me manter no prumo.

but sometimes i wonder. my mind just wonders. all these possibilities. how am i supposed to choose?!

eu sei que e’ da tua natureza ficar repensando e so’ se preocupando com a gente e nada mais, mas tu sabe que essas escolhas afetam muitas outras coisas ne? tu acha que afeta os rumos do mundo? tu acha que nao? eu gostaria de pensar que sim. seria interessante. seria um bocado interessante, mas faz tempo que perdi minhas pretensoes de fazer algo de relevante – REALMENTE (to usando muito essa palavra, acho que de tanto inventar conversas na minha cabeca to perdendo a nocao do real) relevante. hipoteticamente, digamos que se tu voltar logo e terminar tudo que tem que terminar e se esforcar e conseguir passar no concurso… a politica internacional ta mudando, eu acho, todos esses protestos, nao da pra descartar que talvez tu tenha um papel importante mais pra frente. talvez, mas imagina que se eu ficar e morar em outros lugares e apostar mais em novas experiencias por ai meus caminhos na fotografia se abram? e’ uma. e’, mas nem tu (nem eu, pra ser honesto) acreditamos muito no meu talento ne? ei, eu acredito. acho que nao, tu sempre falava que eu ia ser um escritor, nao quero ser escritor.. eu acho. mas tu nao pode achar que essas sao as unicas possibilidades! obvio que nao sao, so to elaborando delirios… melhor do que ficar lembrando daquele fim de semana que eu fui te visitar e tava nevando e a gente ficou dois dias inteiros dentro do quarto ouvindo aquele disco de natal do she and him e comendo os cookies que tu fez e ne… se “amando” pra nao usar nenhuma palavra feia, se bem que era bem isso que eu tava fazendo. como assim, nao lembro de nenhum fim de semana assim?! exato, e’ mais um daqueles fins de semana que ficaram so’ na minha cabeca junto com as cartar que a gente trocou se aproveitando que o correio europeu e’ rapido e pra evitar a fadiga dos emails e mensageiros eletronicos – tu consegue pensar num jeito melhor de manter um relacionamento semi-platonico? haha, como que tu pensa nessas coisas??? sao as historias que eu queria contar, mas nao pense que eu fico em casa planejando e perdendo tempo com isso, nao e’ assim que funciona e’ so’ que as vezes eu to caminhando (na chuva obvio) e olho alguma coisa ou ouco alguma coisa e pronto vem a imagem inteira na minha cabeca e eu me apaixono pela imagem e eu luto contra a realidade pra fazer isso ser verdade e tu sabe que o raul seixas uma vez disse que se mais de uma pessoa sonhar a mesma coisa entao vira realidade (ou talvez ele tenha citado crowley, nao tenho certeza) mas se tu me acompanhasse no sonho, teria dado tudo certo. e como tu sabe que nao deu, “”"agora/aqui”"” estamos fora do tempo.

 

(queria elaborar mais as questoes aqui expostas – provavelmente vou, daqui um tempo)

 

to be continued…

Nosso anti-heroi, pois e’ o costume da nova geracao se sentir atraida por figuras falhas de carater as vezes ate mesmo duvidoso mas inegavelmente charmosas, comeca a historia sentado em seu sofa preto rememorando… na verdade, o tecido preto do tal sofa o leva de volta ate os bracos dela. Ela que obviamente foi quem colocou a historia em movimento. A causa e raiz para tudo que se seguiria a seguir. como ele nao passa de um personagem pode-se dizer que ela foi quem lhe deu o sopro de vida, todas as aspiracoes que precisou para ir em frente.

Como, por sorte, ele e’ so’ um personagem, a historia pode ser recontada e reformulada para melhor atender o gosto do publico. E assim sera feito. Pois nao ha outra razao para viver, do que ter historias pra contar.

E de volta jaqueta e ao sofa. Simultaneamente e’ claro pois a historia nao e’ linear e ao mesmo tempo em que eles estavam no churrasco do aniversario da vo’ dela – tao charmoso ele estava, e ainda por cima levando flores – ele tambem estava deitado no sofa em mangas de camisa. Manchada, por sinal. O cabelo oleoso, desgrenhado e mal cortado em nada condizia com o, normalmente, vaidoso sujeito. E a mesma camisa, meses depois, ja bem lavada, secava na pequena janela do estudio que ele resolvera alugar naquela simpatica cidade nos alpes franceses.

Como o mundo da voltas… ah os cliches, sempre tao verdadeiros. Mas infelizmente essa e’ uma historia que nao pode ser contada do jeito comum; pois, percebam, apesar dos cliches o fim torna tudo muito mais imprevisivel e divertido de contar.

 

Because, you see, if this were to be told in the most conventional of the ways it would be long due for the author to present the characters. First, the long-legged, magically-big-eyed, stunning blonde girl with all that knowledge and culture that could keep you hooked in a conversation all night long (even though she was eager to say goodbye and set your stupid ass way) and obviously the most gracious laughter. Astonishing as she was, only a self-absorbed, tormented, rather tall, kind of smart and oh so deaf and blind guy, like the main character, could not fall in love with her at first sight. Of course, being kind of smart and not-so-much-as-you-would-think-self-absorbed, later on we’ll find out that he sufferably makes up for it.

 

to be continued… (and corrected and criticized)

 

 

We’ll always have Prague (s/revisao)

Chegando em Praga, ele de onibus, cansado um dia inteiro de viagem. Tem a vantagem. Corre no albergue toma um banho toma cafe se recompoe. Mas o nervosismo esta la. Borboletas no estomago.

Ela vem de carro. Contando os quilometros. Quer parecer tranquila, mas nos assuntos e nas entrelinhas deixa transparecer a expectativa: “sera que ele vai achar o hotel?” “sera que o onibus nao atrasou?” “sera que ele vai ta la nos esperando ja?”

Obvio, ele esta esperando. Pensa em correr na cafeteria. Espera-los com cafe, nao e’ uma ma’ ideia. Mas e se demoram? E se escolhe o errado. So’ sabe do gosto dela. Prefere nao arriscar. E logo eles chegam. Nao tem certeza ate o carro parar na frente do hotel. Estava esperando do outro lado da rua. Mais afastado. Meio escondido ate. Ela nao tinha percebido. A mae avisa “oooolha o rodri” e como num filme, num livro, ou numa historia inventada, ela se vira e sem querer ja abre um sorriso. Pelo cliche, difentes mas iguais. O abraco forte e apertado e’ inevitavel ate pra ela que sempre faz questao de ser recatada. Com o rosto escondido no pescoco e cabelos dela ele fala baixinho “cacete que saudade de ti e do teu perfume e de te abracar” e a resposta “siim neni”. Depois disso os cumprimentos protocolares entre todos, saudades etc como estao as coisas.

“entao, vou deixar voces subirem com as coisas. Se quiserem uma ajuda com as malas posso carregar uma mas esse nao parece o tipo de hotel que a gente precisa carregar algo HAHA. Enquanto voces se acertam nos quartos acho que vou dar uma corrida ate o starbucks. O que cada um prefere? Logo eu volto, so me avisem o numero dos quartos tambem.”

“aaaah nao precisa. Que isso.”

“faco questao. Sei como e’ bom um cafe depois de longa viagem. Por sinal. Tudo tranquilo na estrada?”

“sim sim.”

“ah. Ja que tu vai la rodri… rafi, se tu quiser ir junto, nao tem problema a gente sobe as coisas… a nao ser que tu queira arrumar tua mala ja ou algo assim?”

“ah nao sei.”

“….” sorriso…  esperaaaando.

“ta. Vamo la”

No que a porta do elevador se fecha, ele envergonhado se vira e oferece o braco pra que comecem a caminhada. Ela ri e aceita. “gracas a deus” ele pensa. Vao andando e chegam na margem do rio. A tensao e’ grande. Uma certa estranheza. Mas ninguem fala nada. Surpreendendo a si mesmo ele estaca no meio do caminho e puxa ela tentando um beijo. Toda a tensao se concentra e dissipa no beijo.

 

TO BE CONTINUED (melhor jeito de terminar um texto desse tipo)

SCRIPT

então é assim, não muito bem como eu imaginava. mas o que eu imaginava nunca foi muito levado em consideração. já devia ter me acostumado.

vinte dias já tinham se passado. nem ele, nem ela esperavam algum contato tão breve. pelo menos um mês de férias ainda os separava – ou pelo menos era o que ela pensava. acontece que, não afeito a desistir, ele resolveu fazer alguma coisa. tudo bem, não era nada novo. nenhum GAMECHANGER se me permitem os estrangeirismos. but then again, silenciar não era seu forte. foi, nervoso, até o botequim mais próximo, não pela cerveja de sempre, e sim atrás de um cartão de orelhão. era fácil imaginar o que se seguiria: mais uma rejeição, mas apesar das últimas semanas em quase desespero, ele ainda acreditava.

acreditando, foi até o telefone público e discou o número dela. sabia de cor óbvio. pouco importava o celular desfigurado, figura dele próprio. resolveu soar bem humorado. alegre, até. fazer uma galhofa.

- hello, sidney…

- q

- ah, tu não curte panico?

- ein?

- ok. só adivinha quem é…

- rodri? – vira pro lado, para a amiga/confidente – “putz é o rodri” que responde “caramba não achei que ele ia ligar mais…”

- hah! ainda não fui completamente esquecido. então…

- que estranho tu ligar…

- nem tanto……… tu tá ocupada? – já estava acostumado a grandes silêncios no telefone.

- hm.. não não pode falar.

- ah. que bom. mas na verdade to ligando pra que a gente possa conversar ao vivo. nem tanto conversar. quero mais é entregar o teu livro que tá comigo. atar os últimos nós. – obviamente não era só isso que ele pretendia mas ainda assim, não custa tentar.

- hmmm. pois é… o fitz né? claaaro o que tu tava pensando? quer deixar aqui qualquer hora dessas?

- hahah. eu até faria isso mas umas semanas atrás tu deve lembrar que eu acabei comprando aquele negócio do peixe urbano pro sushi e tal…

- será que é uma boa?

- não sei. de verdade. quero conversar sobre o tempo. bobagens contigo. só te ver e tal…

- acho que não faz mal…….. a gente ir como amigos…… – hesitante como o inferno

- claro claro. amigos…. hahaha

- ah.

- tudo bem então? sexta feira passo aí. dia 29?

- ok.

- beijo, tu ainda é a favor de beijo sempre no fim de cada ligação apesar de ser eu né… hahahaha

- beijo. tchau.

ao passo que a amiga surpresa sem entender direito e talvez até um pouco irritada ‘wtf foi isso?’ ‘sei lá.’ ‘vai desmarcar em cima da hora? que que tu vai fazer?’ ‘sei lá.’

passam os dias. chega a tal sexta. ele vai lá e se apruma pra tentar fazer ela lembrar pq gostava dele ela se arruma pra mostrar que tá bem sem ele.

com o carro na esquina uma msg: to aqui. ela vem. simples, linda, leve. como sempre. dói um pouco mas segura o sorriso.

- like the old times. ligando aqui da frente. esperando sentado na esquina.

- nada a ver com os old times. ainda não é verão.

- haha. entra aí – e vai lá correndo abrir a porta pra ela apesar disso parecer forçado.

claro, tem um embrulho qualquer uma flor ali em cima do banco. ela fica olhando sem saber o que fazer. como ele não dá bola pra isso e vai entrando no lado do motorista ela pega as coisas e senta.

- queisso?

- presente. não sei se tu viu mas fui pra montevideo semana passada. aquela viagem que eu ia ter feito no dia dos namors mas o vulcão não deixou…

- sei sei.

- então trouxe um presente de lá. acho que esse não vai ser tão ruim quanto os outros mas ainda assim… to nervoso. hah.

- eu gostei dos outros – e a voz vai sumindo enquanto abre o pacote – aaaaah muito legal

- eu sei que não tá mais tão frio assim, só que sei lá tu tem sempre um desses contigo e nem tem mais eu pra te esquentar…

- ….

- desculpa não devia ter dito isso.

- não. capaz. não tem problema.

conversando sobre o tempo em montevideo e porto alegre e qualquer coisa insignificante o suficiente vão pro sushi. no sushi ele, de novo, admite sua ignorancia e ressalta sua incapacidade para estar com ela, tão refinada, mas dessa vez sem preocupações. é da vida, ele pensa.

- afinal, o que tu queria?

- não sei. jantar. conversar. não posso querer mais que isso.

- li o amarelo…

- ah! achei que ia ler. espero que não tenha ficado braba. embora tu já tenha ficado braba comigo por motivos menores.

- não não. acho que tu te queimou só.

- isso não importa.

- heh. acho que tu tem razão.

- tu leu o outro post?

- no amarelo?

- não.

- no blog com o douglas?

- é.

- não. pq?

- haha. tava estranhando. tá tudo saindo meio como eu tinha escrito.

- tu escreveu sobre isso?

- mais ou menos. um script… de como eu achava que as coisas deviam ser…

- isso tá errado rodrigo

- eu sei. eu sei. – e sei mesmo

- vamos falar de outras coisas

- acho válido.

 

realmente, agora, não consigo pensar em nenhuma small talk.

 

hora de ir embora toda aquela coisa. ainda com esperança de mudar algo depois de uma noite sem stress. vai que ela tenha lembrado de quando as coisas eram simples e dos motivos que ela tinha pra gostar de mim, ele pensa. e sem pensar vai chegando perto dela e indo mais devagar na chegada da casa dela. meio sem querer, talvez por reflexo, se beijam. ele pensa “sim, sabia que isso nao tinha mudado” ela pensa “caramba, não lembrava que era assim” enquanto morde o lábio dele e o puxa e naquele momento em que tudo fica pra trás, inclusive o futuro, eles se permitem.

dali a pouco, as coisas precisam ficar mais claras:

- pelo o que eu entendi no twitter e no amarelo tu ia viajar agora mas não deu pq do processo?

- é. mais ou menos isso…

- mais ou menos pq?

- pq eu vou igual. preciso tentar de esquecer, embora já saiba que não vou conseguir.

- vai sim.

- não vou. mas de qualquer maneira. queria que a gente fizesse juz aos bons momentos juntos antes de eu ir.

- então vamo ficar junto até segunda – óbvio que ela não falaria isso, nem nessa nem em nenhuma outra situação.

- queria que tu ficasse comigo pelo menos essa noite. conversando até cair no sono, que nem quando a gente viu roman holiday ou breakfast at tiffany’s

- é amanhã eu não preciso trabalhar.

- então vamo lá. vamos descobrir alguma coisa essa noite. não que isso seja uma coisa fácil.. mas não custa tentar.

- ok. tua companhia tá boa hoje.

- pois é. queria que tu lembrasse pq tu queria ficar comigo in the first place. mas não vai fazer diferença….

 

sei lá não sei como terminar isso mas logo tem mais partes do script

Domingo de manhã, não estou muito acostumado a ver o mundo a essa hora. Hoje, porém, as coisas estão diferentes. Não é algo recente, na verdade. Nem chega a surpreender. Mas, agora, enquanto a luz da manhã, o ar frio e essa música enchem o ar me dou conta do quanto as coisas mudaram pra melhor. A sensação de liberdade e as promessas do futuro tomam forma na estrada aberta e na mulher ao meu lado.

Apesar de todos os erros que já cometi, me sinto novo. Livre. Recriado.

Ou seja, apaixonado.

 

***

 

Quero me prender a este momento. Nunca chegar. Viver nessa estrada. Com este sol gentil e esta mulher que arde no meu peito e na minha mente. Como autoproclamado fotógrafo que sou deveria tirar mil fotos tentando eternizar em cada quadro a grandeza do momento. Porém, a simplicidade é tão grande quanto o significado e não há câmera que possa capturar isso.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.